Repeteco – ou “eu amo quadrinhos”

Você já imaginou escrever um erro num papel, comer um cogumelo – de origem desconhecida – dormir e, ao acordar, ter esse erro reparado? Pois é, no livro Repeteco isso acontece com Katie, a personagem principal da história. Mas antes, vamos dar uma contextualizada nisso tudo.

Repeteco é uma graphic novel, ou seja, é uma história em quadrinhos. Só não pensem que é quadrinho que nem de super herói, é bem diferente, afinal, é um livro mesmo e é bem compridinho. Quem escreveu foi o mesmo autor de Scott Pilgrim – talvez conhecido por muitos apenas pelo filme com Michael Cera, uma pena. Pelos traços do desenho, logo já fica perceptível que é da mesma pessoa, mas a história não tem nada a ver.

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Como eu já havia falado antes, a protagonista se chama Katie e toma cogumelos. Hein? Sim. Ela mora e trabalha num restaurante – chamado Repeteco -, é chef de cozinha, baixinha, de cabelos vermelhos e com o sonho de abrir seu restaurante próprio. Uma das funcionárias do restaurante, Hazel, é responsável por contar sobre o espírito do lar que mora lá. Esse espírito é ninguém mais, ninguém menos que Lis, uma garota loira que aparece de vez em quando apenas, especialmente quando se trata dos cogumelos para voltar no tempo.

Eu confesso que sentei e li tudo em uma só tarde – compulsivo? Talvez um pouco. Quando comecei, pensava que, devido ao nome do livro, ia ser algo como um dia se repetindo sem parar (afinal, Repeteco), e confesso que me surpreendi bastante. A história dos cogumelos que “arrumam” os erros tem um significado muito importante dentro da história – se eu falar é spoiler, então, shiu.

Eu sou apaixonado por essas histórias que envolvem volta no tempo e derivados – inclusive, assistam ao filme Interestelar, é maravilhoso. Então, desde o início eu já sabia que nada ia ficar como estava. Se envolve volta no tempo, significa que o presente vai mudar, isso em qualquer história. Foi o que eu fiquei esperando e esperando, para então descobrir o que se tratava. E achei incrível. Provavelmente falei nesse parágrafo a mesma coisa que disse no anterior, mas com palavras diferentes. (“Foi apenas um ênfase”, é o que direi se perguntarem.)

Queria falar mais e mais, porém quero deixar sem spoilers. Queria tentar convencer vocês a lerem. Esse é mais um dos quadrinhos da lista de “Porque Eu Amo Quadrinhos”. Está junto de Persépolis, Maus, Pílulas Azuis, Retalhos e alguns da Graphic MSP. Enfim. A única coisa que eu digo é que o final passou muito rápido e… ficou meio fora de contexto? Não sei ao certo se é isso, mas enfim, tentando esclarecer: parece que a história foi toda sensacional e, no final, o autor cansou de pensar e fez um final qualquer. Isso me decepcionou um pouco, mas não me impediu de dar 5 estrelas pro livro no Skoob.

Para finalizar, finalmente, depois de muito enrolar, então: esse é mais um quadrinho que me faz pensar “p*** m**d*, eu amo quadrinhos”. E me faz gastar dinheiro com quadrinhos. Se você curte viagens no tempo, quadrinhos, ou uma boa leitura, aposto que vai gostar. Já se você prefere mais realismo, leia os 4 primeiros que eu falei ali em cima por baixo do risco. São um pouco mais caros que livros comuns, mas valem muito a pena.

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A Internet que virou filme

Vira e mexe aparece notícias sobre umas pessoas que muitas vezes a gente nem conhece. Ou por que falou alguma besteira em uma rede social, ou por que começou/terminou relacionamento, sempre algo desse tipo. Esse pessoal são os YouTubers, amados por uns, odiado por outros. Eles bombam na internet, tem milhões de visualizações e milhões de fãs – creio que a maioria desses seja adolescentes.

Como bons YouTubers e humanos, eles decidiram se reunir para fazer um filme sobre a internet brasileira, chamado (prepare-se para muita criatividade): Internet – O Filme. Ok, um bom título, visto o que se trata o filme. E não sei bem se eles se reuniram e escreveram o filme juntos, mas diversos rostinhos conhecidos das redes sociais estava lá na telona.

Eu, assim como muita gente, acredito, fui assistir o filme pensando “nossa, filme com YouTubers que eu nem assisto, vai ser muito ruim.” Esse pensamento, porém, foi enganoso e levado por um pré conceito meu sobre esse pessoal. Assisto e acompanho muita gente na internet, mas a gente sempre fica com um pé atrás quando eles decidem fazer coisas além da plataforma que estão acostumados.

Entrei na sala de cinema e o filme já havia começado – acho que perdi, no máximo, uns 5 minutos do filme – e comecei a assistir já pensando “não vou dar uma risada, que decepção.” O início do filme me deixou com agonia, teve umas piadinhas daquelas que tu sabe que é pra ser engraçado mas não tem a mínima graça. Porém, quando começou a se desenrolar, eu ri bastante. Quer dizer, não só eu, mas a sala toda. E um fato ainda mais engraçado: a sessão que eu fui tinha poucos lugares, acho que era a menor das salas, ou seja, qualquer comentário que alguém fazia, todo mundo ouvia – que me fez rir ainda mais.

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A história basicamente é um monte de histórias de celebridades da internet que estão num hotel em São Paulo para uma premiação e as histórias acabam meio que se cruzando – quase como num Idas e Vindas do Amor, sabem? Os YouTubers interpretaram personagens, nenhum deles foi quem realmente são na vida real. Além disso, teve diversas participações especiais: Raul Gil, Palmirinha e, é claro, Mr Catra. Em questão da narrativa, acho que deixou bastante a desejar, foi muito nada a ver e o final também… Bom, enfim, foi Rafinha bastos que escreveu o roteiro, acho que ele até acabou mandando bem.

Além disso, o filme teve umas críticas. Teve a personagem com crítica social f*da, aquelas que falam “saiam dos celulares e conversem entre si” e ela é aclamada, ganha fãs em questão de minutos, bem coisas de internet. O filme acabou sendo bem como os YouTubers brasileiros: deram a sua cara, cara de Brasil. E, sendo assim, teve algumas “piadas” que eu particularmente achei que foram meio ofensivas, mas nada muito horrível.

A classificação indicativa do filme é 14 anos e talvez devesse ser maior – não sei o público deles na internet, mas acho que tem muitos menores que isso. Teve muito palavrão, incentivo a bebidas, sexo… Pareço tiazona falando, mas dependendo da idade da criança, não aconselho.

E assim: o filme é engraçado e divertido, mas você tem que saber sobre a internet brasileira, memes e conhecer um pouco de todo mundo que está lá para entender melhor – inclusive as piadas. Provavelmente se você está por fora disso, evita essas coisas, só usa internet para coisa séria, não vai achar tanta graça assim. Pelo menos desde 2012 você tem que ter acompanhado a internet, para nossa alegria.

 

 

Billy Elliot – O Musical

Nunca fui ao vivo assistir a algum musical – talvez pelos poucos que chegam aqui e por não ter a oportunidade de viajar e ir até São Paulo ou Nova York ver as grandes produções. Entretanto, sempre assistir suas versões hollywoodianas ou às gravações dos lotados teatros. Recentemente, depois de descobrir que Hairspray (que tem uma grande lição de moral no fundo) estava no catálogo da Netflix, fui surpreendido que Billy Elliot também se fazia presente por lá. Dei play sem me dar conta da duração – 2h49min – e comecei a assistir. Já havia escutado falar, sabia brevemente do que se tratava, mas não estava com esperanças de gostar tanto quanto eu gostei.

Gostaria de começar dizendo que não é uma grande produção cinematográfica, afinal, foi gravado no Victoria Palace Theatre, em Londres, um grandioso teatro da capital inglesa. O musical foi inspirado num filme – que não cheguei a assistir – e adaptado para este mundo onde música e atuação se misturam na contação de histórias. A história já começa nos ambientando em cenário e época, mostrando a greve dos mineiro de carvão de 1984 e mostra nosso protagonista, Billy, de 11 anos, que mora basicamente com a avó, mas também divide parte da vida dele com o seu pai, irmão e demais pessoas do Condado de Durham. Ele deveria fazer aulas de boxe semanal, mas acabou se encantando pelas aulas de balé da Sra Wilkinson, que ele pratica sem que ninguém de sua família saiba – por causa de todo o preconceito com homens praticando a dança.
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Aí já temos 2 coisas que englobam algo que eu gosto dos musicais: a maioria passa alguma mensagem por trás, mostrando coisas da nossa sociedade envolvidas na trama e fazendo críticas por meio das músicas. A avó de Billy conta sobre a relação abusiva que sofria com seu marido – já falecido – e sobre como ela gostava de dançar. Michael, melhor amigo de Billy, canta sobre gostar de se vestir de mulher na música “Expressing Yourself” (Se expressando). A música fala sobre se vestir como quiser, ser quem quiser. O refrão entoa “Se você quiser ser mineiro, mine! Se você quiser ser dançarino, dance! Se você quiser se vestir como outra pessoa, tudo bem” o que, apesar da época, é um assunto recorrente nos dias atuais, é só pensar nas questões LGBTs debatidas. A relação dos dois amigos é mostrada que não é preciso ser gay para dançar balé – aquele velho estereótipo que precisa ser desconstruído – e que, se você se sente confortável usando roupas do “sexo oposto”, tudo bem, você pode ser o que quiser. Antes que eu me esqueça, vale lembrar que as músicas foram escritas por ninguém mais, ninguém menos que Elton John.
Outro ponto que achei muito relacionável – existe essa palavra? – com os dias de hoje é a questão da greve dos mineiros, protestando contra o fechamento de diversas minas de carvão que deixariam diversas pessoas desempregadas. É só abrir o jornal e ver que estão tendo diversos protestos e greves por aí. Fechamento da TVE, FM Cultura, FEE e outros mais que estão com futuro incerto no Rio Grande do Sul, correndo o risco de deixarem de funcionar e causando o mesmo transtorno que é mostrado no musical – lembrando que a história e a greve dos mineiros se passa entre 1984 e 1985. Logo no início do segundo ato – após a “Angry Dance” (Dança Brava) de Billy -, em meio a uma comemoração de Natal, o elenco canta “Happy Christmas, Maggie Thatcher” (Feliz Natal, Maggie Thatcher), uma música contra a primeira-ministra da época, Margaret Thatcher, uma das responsáveis pelo possível fechamento das minas. Na letra, eles falam sobre ser um feliz natal por estar um dia mais próximo da morte dela – que só veio a acontecer em 2013. Quase que um grito de Fora Temer dos dias de hoje, pode-se dizer.
Em meio a tudo isso, nosso querido Billy Elliot sofre os preconceitos de sua família e comunidade por ser garoto e estar fazendo balé. Ele é obrigado a largar, apesar de ter dom para a dança, e faz aulas clandestinas com a professora. Ele luta pelo que realmente gosta e tenta uma vaga na Royal Ballet School, uma das principais escolas de balé do mundo. Não quero dizer o que acontece, mas essa parte acaba sendo essencial para a história – há briga com a família, especialmente seu pai, há toda a história de que ele não quer abandonar o balé, que ele quer “ser quem ele realmente é”, como já havia cantado com Michael.
O musical é de 2005 e gira em torno de uma história que se passa num tempo bem diferente e, mesmo assim, consegue ser bastante atual. Quando se para para assistir um musical assim – assistir de verdade, não para passar o tempo -, dá para notar todas essas nuances e detalhes que nos mostram coisas que deveríamos debater mais e dar o valor necessário, além de coisas que acabam sendo “tempestade em copo d’água” sem ser. “Billy Elliot – O Musical” termina com Finale e retoma uma estrofe da música que Billy e Michael cantaram juntos enquanto falavam sobre usar roupas de mulher, e o elenco acaba se misturando – bailarinos e mineiros – e mostrando todos se aceitando e em união. E acho que não tem nada mais justo do que terminar esse texto assim também. Acho que é aquele tipo de estrofe pra pensar bastante e levar pra vida.
Everyone is different,                                      Todos são diferentes,
its a natural thing,                                                          é algo natural,
its a fact,                                                                                     é um fato,
its plain to see,                                                                  é claro de ver,

The world is grey enough,                        O mundo é cinza demais,
without making it worse,                                                    sem piorar,
we need individuality.                    precisamos de individualidade.

Um livro para ser devorado

Ultimamente eu andava bastante decepcionado com os livros que eu andava lendo. Li um outro, não gostava, achava enrolado, a história não prendia, coisas assim. Fiquei até sem vontade de ler – mais uma vez utilizei séries e filmes pra preencher esse espaço – até que Raphael Montes lança o seu Jantar Secreto. Me prendi na leitura, li o livro rapidamente e, dessa vez, não saí decepcionado.

Nunca falei de nenhum livro do Raphael aqui no blog antes – falha nossa. Conheci ele na Feira do Livro ano passado, e esse ano fui lá na sessão de autógrafos do novo livro. Nunca li o primeiro livro dele, Suicidas, porém o resto eu já adianto que vale muito a pena. Só fiquem atentos: tem que ter estômago. Tem que gostar de um suspense, de sangue, de tortura. É sério. E Jantar Secreto também segue essa categoria – especialmente ao precisar de estômago. É bom nem ler perto dos horários de almoço e janta.

Jantar Secreto já começa surpreendendo desde o início e as surpresas vão acontecendo até o epílogo, com reviravoltas, loucuras e banhos de sangue. O livro já começa com um “Vim confessar o que fizemos”, o que te deixa pensando pelas próximas mais de 300 páginas o que ele foi confessar e como tudo chegou até aquela confissão. Sem dar spoilers – e retirando da sinopse – a história vai ser narrada por Dante, um dos quatro jovens do livro que saiu de uma cidadezinha do Paraná para morar com os amigos no Rio de Janeiro. Após algumas complicações para pagar o aluguel e em meio à crise brasileira – aí vamos a atualidade do livro – eles começam a fazer jantares exóticos para clientes com grana, o que faz com que eles se afundem num submundo de clandestinidade e pela ganância por dinheiro – e as paranoias que surgem com isso.

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Caso já tenham lido entrevistas ou outros textos sobre o livro, devem saber que esses jantares são exóticos por servirem carne humana. Por isso é preciso ter estômago – e também para aturar o que mais de errado tem na nossa sociedade. Envoltos por toda uma máfia e contrabandos, o livro também mostra como o ser humano pode ser podre – seja pela corrupção, pela ganância, pelo diferente, pelo preconceito. A história não vai ser sobre o canibalismo – afinal, como é dito durante a história, o canibalismo é uma questão cultural. Vai falar do nosso país e do ser humano, principalmente, e também sobre a morte e até onde o ser humano é capaz de chegar (a lugares inimagináveis, eu diria).

Ao autografar o livro, Raphael escreveu “Bom apetite. Devore com prazer.” Quanto ao bom apetite, não digo que tenha sido tão bom assim. Ler esse livro é um atestado de vegetarianismo – você não vai comer carne durante a leitura e provavelmente vai repensar sobre o consumo de carne e de como ela é conseguida. Já devorar com prazer, isso sim posso afirmar que aconteceu. Devorei página por página, capítulo por capítulo, mais rápido do que eu imaginava. Em meio ao drama, questões psicológicas, mortes e sangue, tem uma básica pitada de humor, o que, em alguns momentos, dá uma leveza para a leitura.

Lendo esse livro, senti a mesma coisa que já havia sentido ao ler Dias Perfeitos, também do Raphael. Em algumas partes é agoniantes, em outras tem mais sangue do que eu esperava e, ao mesmo tempo, os acontecimentos vão surpreendendo. Mais uma vez, poucas das coisas que eu imaginava que iriam acontecer (considerando o que já se sabia pelo início do livro) de fato aconteceram. E é isso que eu gosto.

O livro dele está a venda nas livrarias para ser devorado pelos leitores mais apetitosos do Brasil.

A Feira do Porto-nem-tão Alegre

Feira do livro de Porto Alegre. Ah, esse evento tão cativante e que sempre me chamou a atenção. Afinal, uma praça repleta de livros e cultura — em dobro, porque é cercada de museus. Até hoje acho um evento incrível e uma ideia muito legal da Prefeitura.

Infelizmente, não sei é culpa da tal da crise ou o que, mas ela está cada dia mais capenga — não sei se esse é o vocábulo certo, mas vamos fingir que sim. Esse ano a Feira chegou na sua 62° edição e teve a incrível Cíntia Moscovich de patrona (patrona, sim!). Tudo muito bom, tudo muito bem.

Só que nem tanto. Fui lá para uma sessão de autógrafos e, infelizmente, a única que irei esse ano. Vamos começar falando sobre a programação da feira. As sessões de autógrafos mais “populares” esse ano serão, certamente, Thalita Rebouças e Leandro Karnal. E só. Fiquei decepcionado quando, depois de muito tempo de espera, divulgaram a programação. Quase nenhum autor autografante me chamou a atenção. E nem muitos dos livros sendo autografados — descobrir livros novos através de sessões de autógrafos vale a pena a maioria das vezes.

Feira do Livro de Porto Alegre  © Jefferson Bernardes 09NOV12

Crédito: Jefferson Bernardes/Agência Preview

E é claro que a programação não se fixa nos autógrafos. A sensação de conhecer, receber um autógrafo e poder tirar uma selfie — nossa tão querida selfie — é incrível, mas não podemos esquecer do resto. A Feira é um evento enorme, que conta com diversas palestras e oficinas, coisas que geralmente me deixavam triste por serem em horários que eu não poderia comparecer. Esse ano, porém, isso não aconteceu. Nada me deu vontade de estar lá, participar, aprender mais, imergir mais nesse maravilhoso mundo da literatura. Fiquei bastante chateado. Não sei se sou eu ou se o nível caiu mesmo.

Fora isso, estive conversando sobre o fato se ser Feira e ouvi o seguinte exemplo: “Quando vamos na feira de frutas, é para comprar frutas mais baratas. A gente vem na feira do livro e os livros estão mais caros que em livrarias e na internet.” Eu nunca tinha pensado em feira nesse sentido, mas me fez muito sentido naquele momento. Esse ano, o espaço foi ainda mais reduzido — trabalhei lá em 2015 e já havia achado bem pequeno.

Fui olhar os livros e nada valia a pena comprar. Nem os em saldão , pois, por mais que estivessem baratos, a maioria se encontrava em um estado deplorável. Eu olhava os preços e pensava “mas já vi mais barato em tal site.” Sim, chegamos a esse ponto. Uma coisa que gostei foram os livros de jornalismo, na verdade. Encontrei muitos com preços bem razoáveis — visto que livros acadêmicos geralmente são caros. E os livros clássicos, os quais muita gente tem preconceito, como os de Machado de Assis, também estavam presentes lá com bons preços.

Porém, não comprei nada — só o meu livro que foi autografado. O que pude notar ainda mais e que eu já vinha notando é como a literatura mudou. Livros de Youtubers dominam as estantes da feira e a procura por eles é altíssima. São milhões de Kéferas e Rezendes Evil e Larissas Manoelas e esse pessoal todo aí que faz sucesso e faz livros. Nada contra, afinal, qualquer incentivo à leitura é bem vindo. Mas é triste ver que, em 80% das bancas (sem mentira, eram em muitas bancas) só são vendidos estes best sellers e livros populares, enquanto os demais autores parecem não aparecer. Falta um incentivo a literatura, talvez. Afinal, vejam os patronos das feiras. Quantos deles vocês conhecem? Não temos muito incentivo nisso, pelo que eu posso observar.

Infelizmente, um dos meus eventos favoritos já deixou de ser favorito. Um pingo de emoção e nostalgia me correu ao ver Léia Cassol, escritora que eu adorava na infância e que encontrei diversas vezes para pedir autógrafos, mas foi bem momentâneo, até eu voltar para a realidade. Já nem temos mais a área do Cais do Porto! Era minha parte favorita: ter o Guaíba e o pôr do sol e um montão de livros, tudo ao mesmo tempo.

O que aconteceu contigo, minha Porto Alegre? Já não estou conseguindo te reconhecer.

  • Obrigado pela leitura do blog J-Valente por me acompanhar e por ter dado dica para este tema! 

Melhores Álbuns 2015/2

Ah, pois então, estava cá eu com meus botões (com meu Spotify, na verdade) e pensei em alguns álbuns desse de 2016 que eu achei ótimos e pensei “vou postar no blog tal qual eu fiz ano passado”. Eis que, ao olhar os posts do blog, descubro que só fiz os melhores álbuns de 2015/1, do primeiro semestre do ano. Na verdade não sei direito se foi isso, mas deve ter sido, porque esqueci de falar de vários álbuns.

Qual minha decisão a partir deste ocorrido? Falar dos demais álbuns de 2015 que eu não comentei sobre aqui. Tem uns que eu deveria ter comentado no momento em que saíram, mas falhei nisso. Todo mundo erra, não é mesmo?

Então, vamos aos álbuns? Vamos! Uhu! E indiquem mais álbuns se vocês tiverem sugestões, eu adoro conhecer bandas e músicas novas.

Silva – Júpiter

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Silva, este rapaz que poucos conhecem mas eu considero pakas (e que já apareceu nas fotos do meu instagram), é um cantor brasileiro e é um dos meus artistas favoritos da vida. Ele tem três álbuns, Claridão, Vista pro mar e este da imagem, o mais recente, Júpiter. Caso haja interesse, procurem ouvir tudo que ele já gravou, vale a pena, dá pra notar uma “evolução” – ou talvez “mudança” seja uma palavra mais apropriada.

Basicamente, Júpiter é um álbum mais… Pessoal? Não sei descrever essas coisas, só sei que é incrível, as músicas são ótimas e as letras então? Nossa, nem se fala. E os clipes de Feliz e Ponto e Sufoco? É, ele se puxou bastante. Esse álbum eu guardo no meu coração, juntinho do Silva.

 

Ana Cañas – Tô na Vida

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Confesso que eu não conhecia o trabalho da Ana até ouvir esse álbum, só conhecia o nome dela. Um belo dia ela apareceu como recomendada para mim no YouTube e decidi dar uma chance, especialmente porque tô valorizando bastante a música brasileira desde que descobri (uma descoberta tardia e envolta de um preconceito) que a música brasileira é muito vasta e incrível e que cada dia surpreende mais. Tô na Vida é assim, é um álbum que eu fui ouvir sem esperar muito e que me surpreendeu mais do que o esperado.

 

Banda Uó – Veneno

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Banda Uó… Que banda maravilhosa. Essa capa, então? Não sei nem o que dizer, é só sentir. Essa bandinha maravilhosa tem apenas dois álbuns, esse aí é o segundo, e eles fazem um pop-forró-brega (é isso?) com as letras engraçadíssimas e dançantes demais. E algumas letras muito comoventes também. Basicamente, uma banda com um toque de humor e putaria nas suas letras, e que te faz querer dançar até o chão e ficar cantarolando algumas músicas pelo resto do dia.

Carly Rae Jepsen – Emotion

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A então consagrada Call Me Maybe surpreendeu no último ano ao lançar o álbum Emotion, também conhecido como melhor álbum pop do último ano. Tá, brincadeira, pode até não ser o melhor, mas ele é ótimo. Muitos dizem que ele lembra as músicas dos anos 80, o que eu não posso afirmar com certeza, porém afirmo que é um ótimo álbum sim. Ele começa com Run Away With Me e ainda tem a chiclete Boy Problems. Larguem o preconceito por ela ser a Call Me Maybe e deem uma chance para essa menina talentosíssima!!!

 

Selena Gomez – Revival

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Dispensa comentários, né? O melhor álbum de Selena Gomez até então, praticamente todas músicas ótimas. Esse aí eu só posso dizer para ouvirem e esquecerem que ela foi da Disney, caso esse fato afete o pensamento sobre ela.

Acho que era isso que tinha de álbum faltando. Se faltou algum… Vai continuar faltando, não consigo lembrar de mais álbuns de 2015 que marcaram pra mim.

Fica a dica aí de todos, por mais populares que possam ser, valem a pena serem escutados inteiros. Em breve posto os álbuns de 2016 pra divulgar muita música boa por aqui. E provavelmente alguma playlist com melhores músicas de 2016. E provavelmente um post com meus álbuns favoritos da vida. São tudo ideias, vai que né.

 

A Mediadora – Lembrança

Todo mundo já ouviu falar de O Diário da Princesa, certo? Se não conhecem os livros, com certeza já ouviram falar daqueles dois filmes com a Anne Hathaway, que ela passa por uma transformação de garota nerd para princesa de Genovia. Ok, o que isso tem a ver com o A Mediadora? É que os livros foram escritos pela mesma pessoa: Meg Cabot.

Não sei se A Mediadora foi presente na adolescência – ou infância, ou vida adulta, ou qualquer fase – da vida de uma pessoa. Foram seis livros lançados entre 2000 e 2005, seis livros que, confesso, são uma de minhas sagas favoritas da literatura. Suzannah Simon é uma personagem incrível – acho que uma de minhas protagonistas favoritas de livros – e o assunto, a mediação, a relação com espíritos e vidas passadas e tudo que é trazido nos livros, é sensacional. Esses tempos descobri que o colégio dos livros é real e está lá na cidade de Carmel, na Califórnia. É um dos meus destinos turísticos para o futuro, com certeza.

Explicando rapidamente sobre A Mediadora: Suzannah Simon é uma adolescente que é mediadora, ou seja, ela enxerga fantasmas e tem o dever de mandar eles “seguirem em frente”, irem para onde devem ir. Ela ajuda as almas perdidas a resolverem seus assuntos pendentes, basicamente. E tudo isso enquanto ela está no ensino médio, na praia, com sua vida adolescente. Digo que a personalidade dela é cativante, por ela ser destemida e ser uma personagem bem… Diferente (não exatamente essa palavra) de muitas por aí.

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Nesse meio tempo dos seis primeiros livros, ela conhece Jesse, personagem presente em todos os livros, e ela se apaixona por ele, mas, hã, ele é um fantasma. E acho que por aqui posso parar a explicação da saga sem dar nenhum spoiler. Agora, para falar de Lembrança, vou, com certeza, deixar algum spoiler da saga escapar. Então, se você não leu os livros e quer ler, pare por aqui! A não ser que você se importe com spoilers, daí siga em frente por sua conta e risco. Ah, sim, Lembrança é o sétimo livro, que a Meg decidiu lançar em 2016, depois de alguns anos da saga ter acabado. Talvez ela tenha entrado no clima da J.K. Rowling, lançando Harry Potter depois de anos, e quis fazer igual. Mas ela acertou bem melhor que a JK (isso eu vou deixar pra outra hora).

Em Lembrança, Suzannah volta depois de todos os anos que se passaram desde o sexto livro, Crepúsculo, e traz diversos acontecimentos de todos os livros anteriores. Agora, ela trabalha no colégio Junipero Serra, onde passou o seu ensino médio, e está morando com seu namorado Jesse, que estuda medicina – e ainda tem dificuldades de entender algumas coisas do Século XXI. Toda história se passa devido a dois acontecimentos: uma com um fantasma, é claro, e outra com Paul, seu ex-colega de colégio, que tem uma paixão por ela. Isso sem falar que o livro está bem, digamos, sexy. A questão do sexo despertou nesse livro, e foi demais, foi engraçado, foi romântico, foi quente.

Nos dois acontecimentos, a autora trouxe a questão do tão falado machismo, o que foi sensacional. É ótimo ver que Suzannah cresceu e, como as mulheres da nossa geração, viu a importância do feminismo e luta contra o machismo. A história é bem pesada por causa dos temas que são tratados. Alguém leu Dexter Em Cena, o sétimo, livro? Pois é, se leram, fica aí um dos assuntos abordados, que tem a ver com a história da fantasminha do livro.

Eu achei o livro muito bom. Muito bom mesmo. Ele é o mais comprido de todos, em questão de número de páginas, e, assim como os demais, ele te prende até tu terminar. Teve um grande PORÉM na história que me incomodou. Quem já leu o livro, pensa na situação do estúdio de fotografia. Pois é, essa parte… Não sei, me incomodou um pouco dentro do desenrolar da história.

Enfim, para finalizar: Suzannah Simon voltou com tudo! Eu não lembrava do quanto eu sentia saudades dela e de todo esse universo de mediação dela. As outras sagas estão sempre aí, volta e meia revejo filmes de Harry Potter pra matar a saudades, e A Mediadora parece que ficou esquecido na minha estante, apesar de eu fazer algumas referências às vezes. Poderia ter filmes. Ou série da Netflix. Acho que essa segunda opção seria sensacional. Vou sugerir. Mas antes, vou ter que arrumar um tempo pra reviver as aventuras de Suzannah, ela é incrível mesmo.