7 cadeiras e 1 telão

Bailei na Curva, é uma das peças mais antigas e mais conhecidas do teatro gaúcho. Sem cenário (apenas as sete cadeiras e o telão) e com ótimos atores, acontece a magia do teatro. Oito atores interpretam diversos personagens, e misturam comédia com drama, e até um pouco de musical. E é impossível não se identificar com alguns personagens, pois há de tudo, e eles passam pelas mais diversas situações.

A peça se passa desde a Ditadura Militar até o movimento Diretas Já, e mostra um grupo de amigos que cresce durante esse período. Os amigos se separam, se reencontram, se casam, se formam, tudo durante as 2 mágicas horas do teatro. Mesmo sem ter vivido nos anos 60 e 70, consegui reconhecer muitos fatos que estudei nas aulas de história, piadas – que até hoje são usadas-, e até algumas músicas. Realmente, é uma viagem no tempo.

Elenco da peça (fonte: Zero Hora)

Elenco da peça (fonte: Zero Hora)

E, além de tudo isso, a peça também é de reflexão; não a vi apenas como uma comédia musical. Ao mesmo tempo que muitas cenas engraçadas ocorrem, também ocorrem cenas trágicas. A ditadura realmente foi horrível para todos, e isso é muito bem retratado. A mãe que perde o filho para a ditadura; as crianças sem saber direito o que estava acontecendo; e até a evolução de Porto Alegre, que foi, de uma cidade sem nada, apenas com casas, para uma selva de pedras, cheia de edifícios.

Apesar de todos os dramas militares, gostaria de ter vivido naquele tempo. Sem computadores, tecnologia, as pessoas interagindo, crianças brincando na rua. Uma pena que este tempo não possa voltar, realmente. E se algum dia, por algum motivo inesperado, esse tempo voltar, seria bom que não houvesse a ditadura.

No final, eles ainda cantam a música Horizontes, escrita por Flávio Bicca Rocha e conhecida na voz de Elaine Geissler. Todo porto-alegrense (talvez todo gaúcho) conheça os versos Há muito tempo que ando/ nas ruas de um porto não muito alegre(…). E não tem como não se arrepiar na hora que eles cantam isso. Depois de todas histórias contada, toda imaginação que se passou durante a peça, eles retomam algumas das cenas e cantam isso. É incrível, indescritível.

Há 30 anos em cartaz (com diferentes atores, obviamente), Bailei na Curva faz sucesso. Espero que continue por muito mais tempo e que eu veja muito mais vezes. Afinal, a emoção do teatro é esta: você não pode ver sempre que quiser; e sempre que vir, terá um sentimento diferente da última vez.

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