Um texto extenso sobre organizações

Não é fácil organizar nada. Ninguém pode dizer que gosta de organizar algo, no fundo ninguém gosta. E esse drama não se aplica apenas às organizações físicas – como organizar a casa. Ela se aplica às organizações mentais.

Incrível como nossa mente consegue se desorganizar e se perder quando não temos um registro específico de algo. Não sei como, mas algumas coisas eu guardo bastante na memória, como número (CPF, RG, telefones, aniversários, etc). Mas coisas a se fazer ou coisas que penso “nossa, ótima ideia” somem num piscar de olhos. Preciso sempre ter um papel e uma caneta – ou suas derivações – por perto para anotar, senão eu certamente me esquecerei.

Outra vez li que, ao trocar de cômodo, estamos propensos a esquecer o que estávamos pensando, devido a troca de ambiente. Eu concordo plenamente com esta teoria, pois me canso de esquecer algo que eu ia fazer ou dizer ao sair de um lugar e entrar em outro. Por isso ambientes grandes, com tudo junto, podem vir a calhar. Só dispenso um banheiro aberto ao meio de tudo isso, não me importo em esquecer o que pensei lá.

Uma coisa que não me esqueço, porém, é a ordem que algumas coisas estão no meu quarto, ou onde estão guardadas. No caso da ordem, eu me refiro aos meus livros. Já houve casos de eu ligar para alguém que estava em casa e dizer “Pega o livro tal no minha estante!” “Tá, onde que fica esse livro” “Primeira prateleira, quarto livro da esquerda para a direita”. E eu acerto (99% das vezes). Isso é uma organização importante para mim – saber onde meus livros se situam. O pior de tudo é quando eu empresto – porque não consigo lembrar para quem emprestei.

O drama que passei recentemente se aplica a tudo isso, toda a desorganização mental que me surgiu, toda adaptação mental que terei que fazer. Tenho tudo isso organizado bem direitinho na minha cabeça. Mas agora me surgem móveis novos. Estante nova. Mais espaço para livros. Mais espaço nas gavetas. Menos coisa jogada junta. Mais espaço sobrando. Como organizar tudo isso? Eis a questão.

Tentei organizar como já era: o que ia na primeira gaveta continuando na primeira gaveta, o que era da segunda gaveta continuando na segunda gaveta. Em parte, deu certo. E consegui organizar melhor em “Coisas Que Uso Com Frequência”, “Coisas Que Uso De Vez Em Quando” e “Coisas Que Praticamente Nunca Uso E Nem Sei Ao Certo Por Que Eu Ainda Guardo Isso”. Até aí, tudo bem. São gavetas – ficam fechadas, ninguém enxerga o que tem dentro e, eventualmente, elas iram se bagunçar.

O problema maior foi quando cheguei na estante de livros. Prateleiras de tamanhos irregulares. Ajeito elas. Portas colocadas. Vi que calculei errado. Para trocar, tem que desparafusar as portas, trocar as prateleiras, e colocar de novo. Que trabalho tudo isso. Um drama de “vale a pena fazer toda essa mão” e “posso organizar de uma outra maneira”. Mas que maneira? Eu nem havia pensado numa maneira real de organizar as prateleiras.

Agora, fico nesse drama de “O que fica nessa estante nova e o que fica na velha”. Não sei se organizo por livros que mais gosto. Não sei se organizo por tamanho. Por ordem de autor. Por ordem do sobrenome do autor. Por assunto. Por assunto e por ordem do sobrenome do autor (imitando as livrarias). Me desestruturou toda organização de livros que eu já sabia de cor.

Me resta agora novas organizações – físicas e mentais. E mais esforços mentais, mas não esforços para decorar ou organizar. Esforços para decisões. Decisões dos lugares. Decisões do que é melhor ou pior. Decisão de prioridades. Afinal, a vida imita a mente (ou talvez algo parecido).

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