Um livro para ser devorado

Ultimamente eu andava bastante decepcionado com os livros que eu andava lendo. Li um outro, não gostava, achava enrolado, a história não prendia, coisas assim. Fiquei até sem vontade de ler – mais uma vez utilizei séries e filmes pra preencher esse espaço – até que Raphael Montes lança o seu Jantar Secreto. Me prendi na leitura, li o livro rapidamente e, dessa vez, não saí decepcionado.

Nunca falei de nenhum livro do Raphael aqui no blog antes – falha nossa. Conheci ele na Feira do Livro ano passado, e esse ano fui lá na sessão de autógrafos do novo livro. Nunca li o primeiro livro dele, Suicidas, porém o resto eu já adianto que vale muito a pena. Só fiquem atentos: tem que ter estômago. Tem que gostar de um suspense, de sangue, de tortura. É sério. E Jantar Secreto também segue essa categoria – especialmente ao precisar de estômago. É bom nem ler perto dos horários de almoço e janta.

Jantar Secreto já começa surpreendendo desde o início e as surpresas vão acontecendo até o epílogo, com reviravoltas, loucuras e banhos de sangue. O livro já começa com um “Vim confessar o que fizemos”, o que te deixa pensando pelas próximas mais de 300 páginas o que ele foi confessar e como tudo chegou até aquela confissão. Sem dar spoilers – e retirando da sinopse – a história vai ser narrada por Dante, um dos quatro jovens do livro que saiu de uma cidadezinha do Paraná para morar com os amigos no Rio de Janeiro. Após algumas complicações para pagar o aluguel e em meio à crise brasileira – aí vamos a atualidade do livro – eles começam a fazer jantares exóticos para clientes com grana, o que faz com que eles se afundem num submundo de clandestinidade e pela ganância por dinheiro – e as paranoias que surgem com isso.

jantar-secreto-raphael-montes

Caso já tenham lido entrevistas ou outros textos sobre o livro, devem saber que esses jantares são exóticos por servirem carne humana. Por isso é preciso ter estômago – e também para aturar o que mais de errado tem na nossa sociedade. Envoltos por toda uma máfia e contrabandos, o livro também mostra como o ser humano pode ser podre – seja pela corrupção, pela ganância, pelo diferente, pelo preconceito. A história não vai ser sobre o canibalismo – afinal, como é dito durante a história, o canibalismo é uma questão cultural. Vai falar do nosso país e do ser humano, principalmente, e também sobre a morte e até onde o ser humano é capaz de chegar (a lugares inimagináveis, eu diria).

Ao autografar o livro, Raphael escreveu “Bom apetite. Devore com prazer.” Quanto ao bom apetite, não digo que tenha sido tão bom assim. Ler esse livro é um atestado de vegetarianismo – você não vai comer carne durante a leitura e provavelmente vai repensar sobre o consumo de carne e de como ela é conseguida. Já devorar com prazer, isso sim posso afirmar que aconteceu. Devorei página por página, capítulo por capítulo, mais rápido do que eu imaginava. Em meio ao drama, questões psicológicas, mortes e sangue, tem uma básica pitada de humor, o que, em alguns momentos, dá uma leveza para a leitura.

Lendo esse livro, senti a mesma coisa que já havia sentido ao ler Dias Perfeitos, também do Raphael. Em algumas partes é agoniantes, em outras tem mais sangue do que eu esperava e, ao mesmo tempo, os acontecimentos vão surpreendendo. Mais uma vez, poucas das coisas que eu imaginava que iriam acontecer (considerando o que já se sabia pelo início do livro) de fato aconteceram. E é isso que eu gosto.

O livro dele está a venda nas livrarias para ser devorado pelos leitores mais apetitosos do Brasil.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s