Mais que uma prisão

A Netflix liberou no último dia 16 a quarta temporada do seriado Orange Is The New Black, que fala sobre a prisão de Leitchfield, nos Estados Unidos. Já falei aqui no blog/YouTube um pouco sobre o livro e o seriado, você pode conferir aqui neste link. E, como toda a temporada já foi pro ar, eu também já assisti ela inteira.

Pra quem não conhece a Netflix e suas séries, assim: as produções feitas por eles são liberadas inteiras em determinado dia. O que isso significa? Esperar um ano para ter a próxima temporada. E esperar um ano com Orange Is The New Black é algo que se torna bastante difícil, especialmente com o final da quarta temporada.

Já aviso aqui para cuidarem: vai ter spoilers dessa e de outras temporadas. Então corre lá pra assistir todos os episódios e depois volta aqui pra comentar comigo o que você achou!

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Divulgação da quarta temporada (Fonte: AdoroCinema/Divulgação)

Nessa nova temporada, novas detentas chegaram até a prisão de Leitchfield, superlotando o lugar e deixando muitas sem trabalhos e sem ter o que fazer por lá. Isso desencadeou um série de eventos, como revolta entre os grupos.

Ao assistir OITNB, é importante se atentar aos detalhes, ao que a história está querendo passar. Sim, é uma prisão feminina, mas é como se representasse tudo que tem afora. A gestão de Leitchfield está em crise e as detentas estão divididas em grupos. As brancas se revoltam, com racismo, ao falar das demais prisioneiras. Não só no seriado, isso também acontece na vida real – onde pode ser até bem pior a situação.

Além disso, Burset (Laverne Cox), personagem transexual da série, está na solitária, querendo sair de lá a qualquer custo. Ou seja, os casos de transfobia também são relatados. Para “protegê-la”, eles a deixaram confinada sozinha, longe de outras detentas. Outros casos tratados também são os de problemas psicológicos, com as personagens Suzanne (Uzo Aduba) e Lolly (Lori Petty), mostrando o lado da doença, os problemas que pessoas podem passar, as alucinações.

O “poder” dos guardas de Leitchfield também é retratado de forma clara e hierarquizada. Eles querem mostrar que são superiores a elas, sendo misóginos, forçando-as a determinadas situações e discriminando. A personagem Maritza (Diane Guerrero) ganhou destaque nessa temporada dentro desta questão de machismo e poder. Ela sofreu nas mãos de um dos novos guardas, o mesmo que, depois, causou mais problemas por lá.

O problema deste personagem foi acreditar que, por ser segurança e homem, ele tinha poder sobre todas as detentas e poderia fazer o que bem quisesse com elas. Não só ele, os outros novos guardas, inclusive o capitão, mostravam este preconceito. Tudo isso desencadeou uma revolta entre as presidiárias. Ao final da série, mesmo elas tendo suas diferenças e estando separadas por serem negras, brancas ou latinas, se uniram contra esta nova frota de guardas, querendo ter os seus direitos dentro da prisão.

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Burset (Laverne Cox) na solitária. (Fonte: E! Online/Divulgação)

Uma personagem que merece destaque é Judy King (Blair Brown), uma celebridade que acabou sendo presa. Ela pode ser vista como a Martha Stewart, apresentadora norte-americana que havia sido presa – e é citada no livro que inspirou a série. Judy recebe tratamento diferente das demais detentas. Por ser famosa, ela teve um quarto só para ela, tratamento especial dos seguranças e outros favores. O problema para ela vai ser enfrentar a próxima temporada – que, aparentemente, ela estará de volta.

Essa temporada foi, na minha opinião, a mais pesada e forte de todas. Pesada no que ela tratou, no que ela trouxe para o público. Foi forte dando um tapa na cara com todos estes assuntos. Diversas cenas foram difíceis de segurar as lágrimas, foram cenas importantes, foram personagens importantes, que se foram. O final do último episódio foi simplesmente de tirar o fôlego e deixar várias perguntas, vários pensamentos até a próxima temporada – que deve sair por julho de 2017 apenas.

Todos os temas desta temporada foram pesados. Caso de estupro, vindo da temporada anterior, continuou sendo discutido, assim como drogas, transfobia e racismo. Orange Is The New Black não é apenas um seriado qualquer, um seriado mostrando uma prisão. É um seriado que mostra como o mundo está situado utilizando o pequeno espaço de uma prisão. Mostra questão de preconceitos, de hierarquização, de poderes. Mostra o que está errado e que movimentos sociais tentam desconstruir todos os dias. Mostra o que o mundo precisa lutar, o que ainda falta para que a sociedade melhore. São prisioneiras humanizadas, mostrando o que é a humanidade.

Azeitona

Provavelmente você já viu livros de YouTubers quando foi numa livraria. Eles estão tomando conta das prateleiras, é quase impossível não notar, até porque já existem vários por aí. A maioria são livros de memórias desse pessoal, mas agora estão surgindo livros que não são de memórias e escritos por BookTubers – quem fala sobre livros na internet.

O Bruno Miranda, do canal Bubarim e Minha Estante – se você não conhece, vai agora ver os vídeos dele – lançou o seu primeiro romance, Azeitona há pouco tempo. Foi uma experiência incrível poder acompanhar o processo desse livro com as redes sociais e um Tumblr que ele atualizou neste meio tempo.

Mas, vamos ao livro. Azeitona vai contar a história de Ian e Emília, dois colegas da faculdade que vão participar do programa “Novos Pais”, um reality show que acompanha adolescentes que serão pais. O problema é que eles entraram nessa jogada sem estar esperando um bebê. E aí começa, de fato, a história.

www.canalicara.com

O livro já chama a atenção com a capa, amarela com desenhos em roxo, mas a história chama ainda mais a atenção. Além dos protagonistas, tem outros personagens que suas vidas são desenvolvidas dentro das páginas do livro, envolvendo o leitor. Sabe aquela história de “vou ler só mais um capítulo”? Aconteceu e bastante. Os finais de capítulo era quase piores que os de seriados da Shonda Rhimes.

Na história, enquanto rola toda questão de reality show e gravidez e mentiras, também são tratados outros assuntos, alguns até mais pesados e com personagens que tu nem imaginaria. Pra falar a verdade, até pensei que o final fosse ser algo mais previsível, mas me surpreendeu bastante. Depois que passa da metade do livro, é impossível largar, eu poderia ter virado a noite lendo. O que vai acontecendo com os personagens te deixa com dúvidas, espantos, emoções.

A trama de Azeitona é incrível, é um livro que poderia ser uma realidade próxima de qualquer um e aborda assuntos sérios, além de mostrar lições e coisas corriqueiras da vida que, muitas vezes, a gente deixa passar em branco. Pra quem acompanha o Bruno no YouTube e outras redes sociais, deve ter sido uma leitura tão incrível quanto a minha. Pra quem não conhece, vale a pena conhecer. É o primeiro trabalho dele e é incrível a forma com que toda a história é conduzida e como tudo aconteceu.

Deu até uma tristeza acabar o livro e ficar com aquele sentimento de “mas já acabou?”.

O ciclo da vida

Sabe aquela história de que nada realmente acaba, que tudo continua, mesmo que seja de uma forma diferente? Pois é, estou começando a acreditar (e muito) nela.

Diversas situações na história do planeta e nas nossas histórias pessoais tem esse caráter. Volta e meia parece que voltamos a estaca zero. É como se, após muito tempo batalhando contra alguma coisa, falhamos e temos que começar de novo. Quase como num videogame, quando não conseguimos terminar uma fase e ela recomeça.

Isso talvez seja o ciclo da vida, ou do planeta. O planeta já tem vários ciclos – ciclo da vida, as voltas em torno do sol, os ciclos das estações… Porque o resto não pode ser assim também?

Pensa bem: a situação atual do planeta, diversas pessoas batalhando por seus direitos, diversos lugares em confronto, pessoas virando refugiados. Não parece que a gente já viu isso antes? Talvez nas aulas de história? Talvez apenas de saber o que já aconteceu?

E agora tudo isso se repete. Parece até que a lição não foi passada da primeira vez e, agora, com tudo diferente, com tudo mais (a princípio) avançado, tem que ter todas aquelas mesmas batalhas, o mesmo sofrimento e suor.

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Sobre cada um de nós ter essas batalhas internas: sim, temos isso. Como eu disse antes, é como num videogame. Talvez como conhecer alguém. Quando tu conhece uma pessoa, acha ela muito legal, viram amigos e depois tu descobre que estava errado. Tem aquela parte que tu não sabe o que fazer, além de ficar decepcionado. Daí, depois de um tempo, aparece outra pessoa, ela é legal, mas não era tudo isso.

“Ah, mas as pessoas são diferentes”. São mesmo. O mundo também, era pra ter mudado. Talvez isso, no quesito pessoas, seja mesmo para que todo mundo aprenda com os seus erros e veja que não está certo. Os que se negam a abrir os olhos e mente, isso vai continuar acontecendo, até que, por fim, notem que estão fazendo as coisas erradas.

É tudo uma questão de aprendizados e evolução mental, creio eu, com minha vã sabedoria. Basta querer ver o mundo e entender ele o que ele quer nos passar.

Talvez, se usássemos mais nossas mentes para efetivamente pensar e menos para se irritar, brigar, e deixar de ver as coisas, o mundo fosse melhor.

Mas, como eu disse, “talvez”. E, dentro dessa palavra de seis letras, cabe todos os habitantes do planeta. Ou seja, é uma missão difícil, mas todo mundo poderia fazer a sua parte.

Tédio

Romantismo: estudamos nas aulas de literatura que ele se passou na época do Mal do Século, até então definido como o tédio. Atualmente, em 2015, o autor e psicólogo Augusto Cury define o Mal do Século como a Ansiedade. No caso, sempre vamos ter algum mal em cada século.

Ansiedade, como Cury fala, é o que mais afeta os humanos ultimamente. Mas não acho que ela surja do nada e adquira esse papel de Mal do Século de graça. Acho que ela já provém do nosso conhecido Mal do Século Tédio. O Tédio vai provocar a ansiedade – na minha opinião.

Não discordo de Cury, mas acho que o Mal do Século ainda é o Tédio. Antigamente, sofriam de tédio por não terem o que fazer. Aos exemplos de aulas de matemática e física, quando alguém perguntava “O que a pessoa tinha na cabeça pra inventar esse cálculo?” e a resposta geralmente era algo como “Não tinham o que fazer naquela época, daí tentavam descobrir estas coisas”. Não era um tédio, eles tinham o que procurar.

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Hoje em dia sim existe o tédio. O tédio por termos tudo na palma da nossa mão, de podermos saber tudo quando quisermos, a hora que quisermos. A falta de descobertas causa o tédio. Existe contato demais entre as pessoas, de uma forma não boa (da forma virtual). Ninguém mais sai pra descobrir algo. A distância foi encurtada.

Não tem por quê ir atrás de uma coisa, se essa coisa pode vir até nós. Comida, roupas, amigos, tudo. Quando a gente quiser. Não existe uma certa “dificuldade”.
Não temos mais nem aquilo de ” eternizar o momento”. Todos momentos são registrados, muitos são publicados, poucos são eternizados, aproveitados e realmente lembrados.

E, pra mim, isso causa a ansiedade. As pessoas estão entediadas de não ter o que fazer. Entediadas de sempre ficar atualizando as páginas das redes sociais para ver o que vai surgir de novo. E nada de relevante surge de novo.

Isso é um pouco do que temos atualmente: a falta de descobrir, a falta do novo. Mais uma vez, estamos vivendo com faltas. E faltam muitas coisas para serem notadas que estão faltando.

Videoclipes com muitos beijos

Da onde surgiu a ideia desse post: vendo algum TVZ da vida e notando que a maioria das músicas que eu ando ouvindo tem muitos beijos em seus clipes.

Enfim, a ideia do post é colocar algumas músicas (boas, obviamente) que os clipes tem vários beijos. E tem algumas músicas e/ou artistas que eu falei lá nas partes 1 e parte 2 do “Melhores álbuns 2015/1”! Então, segue uma playlist com muita beijaçada:

Charlie Puth feat. Meghan Trainor – Marvin Gaye

A Meghan todo mundo já deve conhecer, afinal, she’s All About That Bass. Já o Charlie, pra quem não conhece, ou não está se lembrando, canta See You Again, com o Wiz Khalifa, da trilha sonora de Velozes e Furiosos 7. Juntos, os dois fizeram essa linda música (e com um clipe cheio de beijos em um baile de filme americano).

Hozier – Someone New

Essa eu já tinha postado quando falei dos melhores álbuns de 2015, e acho que vale colocar de novo. Tem beijos no clipe, tem uma música ótima e o clipe é tão ótimo quanto.

Disclosure feat. Sam Smith – Latch

Não sei por que, mas essa música não ficou muito conhecida no Brasil. Fica aí pra quem não conhece e, quem conhece, pode ouvir de novo, já que ela é ótima.

Tove Lo – Habits (Stay High)

Qualquer videoclipe dela vai ser repleto de beijos. Sério.


Clean Bandit & Jess Glynne – Real Love

Como poderia uma música falando de amor não ter um monte de beijos?

Moral deste post: videoclipes com muitos beijos tendem a ser de músicas muito boas. Ou não, mas os que eu postei aqui eu acho que são.

BomDiaLeo – O Livro

Quem conhece o BomDiaLeo? Se você não conhece, fica aí a oportunidade pra conhecer!

BomDiaLeo é um YouTuber (faz vídeos para o YouTube) e ele está lançando um livro! Ele inclusive veio para Porto Alegre autografar o livro, mas eu não fiquei até o fim (fiquei uma hora e meia esperando e não havia andado metade da fila). Foi demais ver ele sendo super simpático e legal com fãs. Tudo isso eu falei no vídeo! Confere aí!

Um texto extenso sobre organizações

Não é fácil organizar nada. Ninguém pode dizer que gosta de organizar algo, no fundo ninguém gosta. E esse drama não se aplica apenas às organizações físicas – como organizar a casa. Ela se aplica às organizações mentais.

Incrível como nossa mente consegue se desorganizar e se perder quando não temos um registro específico de algo. Não sei como, mas algumas coisas eu guardo bastante na memória, como número (CPF, RG, telefones, aniversários, etc). Mas coisas a se fazer ou coisas que penso “nossa, ótima ideia” somem num piscar de olhos. Preciso sempre ter um papel e uma caneta – ou suas derivações – por perto para anotar, senão eu certamente me esquecerei.

Outra vez li que, ao trocar de cômodo, estamos propensos a esquecer o que estávamos pensando, devido a troca de ambiente. Eu concordo plenamente com esta teoria, pois me canso de esquecer algo que eu ia fazer ou dizer ao sair de um lugar e entrar em outro. Por isso ambientes grandes, com tudo junto, podem vir a calhar. Só dispenso um banheiro aberto ao meio de tudo isso, não me importo em esquecer o que pensei lá.

Uma coisa que não me esqueço, porém, é a ordem que algumas coisas estão no meu quarto, ou onde estão guardadas. No caso da ordem, eu me refiro aos meus livros. Já houve casos de eu ligar para alguém que estava em casa e dizer “Pega o livro tal no minha estante!” “Tá, onde que fica esse livro” “Primeira prateleira, quarto livro da esquerda para a direita”. E eu acerto (99% das vezes). Isso é uma organização importante para mim – saber onde meus livros se situam. O pior de tudo é quando eu empresto – porque não consigo lembrar para quem emprestei.

O drama que passei recentemente se aplica a tudo isso, toda a desorganização mental que me surgiu, toda adaptação mental que terei que fazer. Tenho tudo isso organizado bem direitinho na minha cabeça. Mas agora me surgem móveis novos. Estante nova. Mais espaço para livros. Mais espaço nas gavetas. Menos coisa jogada junta. Mais espaço sobrando. Como organizar tudo isso? Eis a questão.

Tentei organizar como já era: o que ia na primeira gaveta continuando na primeira gaveta, o que era da segunda gaveta continuando na segunda gaveta. Em parte, deu certo. E consegui organizar melhor em “Coisas Que Uso Com Frequência”, “Coisas Que Uso De Vez Em Quando” e “Coisas Que Praticamente Nunca Uso E Nem Sei Ao Certo Por Que Eu Ainda Guardo Isso”. Até aí, tudo bem. São gavetas – ficam fechadas, ninguém enxerga o que tem dentro e, eventualmente, elas iram se bagunçar.

O problema maior foi quando cheguei na estante de livros. Prateleiras de tamanhos irregulares. Ajeito elas. Portas colocadas. Vi que calculei errado. Para trocar, tem que desparafusar as portas, trocar as prateleiras, e colocar de novo. Que trabalho tudo isso. Um drama de “vale a pena fazer toda essa mão” e “posso organizar de uma outra maneira”. Mas que maneira? Eu nem havia pensado numa maneira real de organizar as prateleiras.

Agora, fico nesse drama de “O que fica nessa estante nova e o que fica na velha”. Não sei se organizo por livros que mais gosto. Não sei se organizo por tamanho. Por ordem de autor. Por ordem do sobrenome do autor. Por assunto. Por assunto e por ordem do sobrenome do autor (imitando as livrarias). Me desestruturou toda organização de livros que eu já sabia de cor.

Me resta agora novas organizações – físicas e mentais. E mais esforços mentais, mas não esforços para decorar ou organizar. Esforços para decisões. Decisões dos lugares. Decisões do que é melhor ou pior. Decisão de prioridades. Afinal, a vida imita a mente (ou talvez algo parecido).